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quarta-feira, 9 de março de 2016

COMO FUNCIONA SUA GUITARRA.


Você sabe como funciona sua guitarra elétrica ou baixo de corpo sólido?
Precisamos mesmo de tanto dinheiro para possuir um bom instrumento?
É o que veremos por meio do texto abaixo, sempre de forma científica, direta e descomplicada.
Leia também: "Lutheria arte e ciência".



Sob a visão da Ciência.

Primeiramente, consideramos a fisiologia individual de cada espécie de madeira a ser usada, para depois trabalhar combinações de diferentes densidades entre elas no processos de construção do corpo e braço. Isso tudo sob efeito do fenômeno da ressonância, definirá as características e as qualidades essenciais do instrumento.  
Entendamos o conjunto de corpo e braço como uma só coisa, um "complexo" ou "sistema" passivo.
A física explica o conceito da guitarra elétrica de corpo sólido através do fenômeno da ressonância que se dá quando a frequência transferida de vibração das cordas para o complexo corpo/braço for idêntica a frequência de vibração contida no mesmo, fazendo todo o "sistema" oscilar em amplitude máxima de ondas mecânico/acústicas ou "energia vibracional", a alma que da vida ao instrumento.
Assim surgem os sons e seus harmônicos, os timbres e a sustentação que, por sua vez, é diretamente relacionada à intensidade e tempo de dissipação das ondas no complexo. Quanto mais tempo houver para que se dissipem estas ondas, maior será o período de sustentação sonora, a presença do som vivo no instrumento.
Os timbres  graves, médios e agudos naturais, a voz dos instrumentos, se subdividem em frequências que atuam simultaneamente -  frequência fundamental e harmônica - , que são múltiplos da frequência fundamental. 
Compreendida e dominada a mecânica destes conhecimentos, é possível construir uma guitarra elétrica garantindo timbres e sustentação de boa qualidade ao instrumento, sem a dependência de madeiras específicas.
No entanto, faz-se necessário que sejam apropriadas para o uso, considerando mecanicidade, robustez, estabilidade e maleabilidade. 
Um instrumento para ser bom precisa estar fundamentado nesta máxima. Auto custo, nem sempre significa qualidade. 
Madeiras de reflorestamento também contém as mesmas propriedades daquelas já consagradas pelas indústrias. Basta pesquisar.

Testando com simplicidade.

Ao fazer um diapasão em Lá (440hz) vibrar com a extremidade apoiada à superfície do corpo do instrumento montado, mesmo que sem as cordas, teremos frequências de vibrações de ondas sonoras atuando por um determinado período de tempo de acordo com a proporção de massa por cm3 representada pelo sistema.
As nuances destes sons produzidos variando entre graves e agudos identificam as "particularidades tímbricas" do instrumento, aquilo que podemos chamar de "voz"; enquanto a intensidade e tempo de duração diz respeito a sustentação natural do som neste sistema.


Considerando: 

Se analisarmos cinco guitarras de mesmo modelo,  procedência de fabricação e madeiras similares em espécie, teremos cinco resultados sonoros diferentes entre elas, que poderão variar entre sons mais quentes e/ou cerâmicos, e também menos ou mais intensos e encorpados. Isto se deve ao fato de que a densidade encontrada em cada um dos instrumentos nem sempre será coincidente. 
Seja qual for a espécie da madeira, variação de densidade influi na riqueza dos timbres e na intensidade de sustentação sonora. 
Nota importante:
Um Maple base de árvore timbrará e sustentará sons de forma adversa se comparado com a mesma madeira extraída do topo desta árvore para fins similares.
Vale enfatizar que esta é apenas uma forma mais simples de comprovação dos fatos, não tendo correlação com a técnica do tap-tuning, restrita ao momento da escolha da madeira para confecção do instrumento pelo artesão.
Lembrando: Quanto menos colagem houver no processo de construção do instrumento, mais perceptíveis serão esses resultados.

Conclusão:

Uma vez respeitada as regras acima descritas, se desejarmos fazer uma replica de strato, não precisamos das madeiras que originalmente as caracterizam para conseguirmos resultados idênticos aos das originais.




Trastes:

Diferenciados por medidas e composição de matéria-prima, são de máxima importância.
Se inadequados ou lesados comprometem a clareza dos timbres, impedem bends, vibratos e abreviam drasticamente a sustentação das notas.
Refletem quase sempre as condições de alinhamento do braço do instrumento. Portanto,  não existem condições de boas regulagens sem um braço perfeitamente alinhado, e que isto jamais se confunda com eventuais ajustes de tensor, espécie de "coluna vertebral" do braço do instrumento.

Aplicação:
Levando-se em conta um perfeito alinhamento de braço, para escalas de raios mais abertos, de 12" a 16"polegadas,  a escolha de altura e largura dos trastes é mais democrática, enquanto para escalas de raios mais fechados, de 10" para baixo,  os trastes de perfil "light" são sempre mais indicados.
Neste último caso, fique claro que, exceder medidas é até possível, desde que se adote uma ação bem mais alta para as cordas.
De uma forma ou de outra, mantê-los sempre íntegros é fundamental para o bom rendimento do instrumento.


Captadores Magnéticos ou Pickups.

Captadores ou pickups, single-coils ou humbuckers, são bobinas que com polos ou núcleos magnetizados envoltos por várias voltas de fios de cobre, captam vibrações, ondas mecânicas, geradas pelas cordas sobre o complexo corpo/braço da guitarra e as transformam em sinais elétricos, na sequência amplificados. 
O fenômeno ocorre quando o campo magnético gerado em torno da bobina é estimulado pelas variadas frequências de vibrações das cordas gerando "impulso elétrico". 
Ou seja, ondas mecânicas convertidas em ondas elétricas.
O material empregado na construção de captadores varia, mas a função é uma só: "microfones", que leem a voz do instrumento.
Cerâmicos imantados, ou Al-Ni-Co, ligas de ferro contendo  aluminio, niquel e cobalto,  diferem-se pela sofisticação na composição material, poder de indução magnética e fórmula de montagem, mas são sempre simples bobinas. 
Devem exaltar a excelência da guitarra,  jamais sobrepujá-la. 

Basta lembrar que na época em que foram produzidas excelentes guitarras atualmente consideradas "Vintage autênticas", não se dispunha de quase nada do que hoje é tido como que "absolutamente imprescindível". 

Por que substituir captadores? 


Para resolver insuficiências de timbres e sustentação de uma guitarra, novos captadores podem representar possível solução, porém mesmo quando a opção apontar para os customizados deve-se primeiramente considerar as "carências e/ou deficiências" individuais do instrumento em questão, do contrário a escolha nada somará, transformando a iniciativa em mera "aquisição cosmética". 
O segredo não está no produto ou instalação, e sim na receita ideal para cada caso. 

Resumindo, captadores são" parte de um todo", e a eles cabe a função da leitura do processo de funcionamento físico da guitarra em si, com força, clareza e com o  mínimo de interferência ruidosa possível.
Depois é instrumento no ampli e muita dedicação, como era antigamente, quando tudo começou.
Lembrando: O prato principal é que origina seu "tempero"!

Atenção.
Guitarra não é só imagem, pois interage com o músico, precisa transcender o valor plástico para atingir seu propósito essencial. Fazer música.
Ao se adquirir corpos, braços e captadores sem a observação cuidadosa mencionada,  a probabilidade de sucesso fica legada a um golpe de sorte.
Experimentos criativos e suas eventuais contribuições são louváveis, mas é preciso cautela e muito bom senso até para arriscar. 
Quando dispõe-se da liberdade de escolha com base no conhecimento cientifico fica bem mais fácil de se optar.
Desta forma, menos reféns da voracidade do corporativismo, obrigamos os mercados a se profissionalizarem de fato, cerceando espaço ao oportunismo e proporcionando melhorias autênticas ao adeptos do segmento.


Mensagem Final.


Didaticamente bem orientado, passa-se a tocar melhor. 
Seja você profissional ou amador, estou dando uma dica para poupar tempo e trazer mais satisfação à relação homem/guitarra.
É hora de começarmos a viver uma vida mais franca e simples, porque só assim poderemos conhecer a plenitude desta dádiva.
Quando nos libertamos da complexidade do pretenso saber, e 
substituímos mitos pela consciência, nos tornamos mais leves, autênticos, livres de fardos que pesam e atrasam nossos passos. Caminhamos mais sinceros e aproveitamos com intensidade a graça e a experiência da vida.

SERGIO BUCCINI.



Citando George Bernard Shaw:

_"É impossível haver progresso sem mudança, e quem não consegue mudar a si próprio não muda coisa alguma."









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